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Em semana do Dia da Consciência Negra, caso de racismo recebe punição leve

STJD "inibe" punição severa em mais um caso de racismo no futebol. O jogador do Londrina, Celsinho, pronuncia-se de forma incisiva contra o resultado do caso.

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19 Nov 2021 - 11h33 | Atulizado em 19 Nov 2021 - 11h33

No dia 18 deste mês, foi a julgamento no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) o caso de racismo envolvendo um dirigente do Brusque e o meia do Londrina, Celsinho. A sentença do caso foi a perda de um mando de campo, e o pagamento de 60 mil reais por parte do clube. Antes da reunião, o time catarinense, como punição, havia perdido três pontos na tabela e estava na zona da degola da Série B, brigando para não cair. Com a devolução dos pontos, o time se encontra na décima quarta colocação. O dirigente, que proferiu as palavras ao meia do Londrina, "vai cortar esse cabelo, seu cachopa de abelha", foi punido com a suspensão de 360 dias e pagamento de 30 mil reais. 


Celsinho denunciando ofensa racista contra ele. (Foto: Reprodução/Breno Kuster)


Com o resultado do julgamento do caso divulgado, a vítima de tais atos se pronunciou de forma indignada: "O STJD tinha uma grande oportunidade de mudar tudo. De fazer algo bem positivo. Ficar bem visto por todos e acabou dando um tiro no próprio pé. Ao invés de evoluir, eles retrocederam. Muito vergonhoso. Que grande decepção". E todo esse caso aconteceu somente dois dias antes da data da consciência negra. Ademais, tal ato foi feito por um dirigente que foi identificado, Júlio Antônio Petermann, do Brusque.

 

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Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Brasil possui 54% da sua população compostos por pretos e pardos. E, mesmo como esses dados, a sociedade apresenta casos de racismo diários, inclusive no futebol. O caso do Celsinho não é isolado, pode-se lembrar de vários outros casos como o do goleiro Aranha, que foi chamado de "macaco" por torcedores do Grêmio. 

 

No ano passado, com a onda de protestos contra o racismo e a violência policial sobre a população negra, vários atletas de futebol e de outros esportes aderiram a causa e passaram a se ajoelhar com o punho cerrado antes do apito inicial dos jogos. Porém, o gesto mais marcante foi a saída de campo de todos os jogadores no meio jogo entre PSG e Başakşehir pelo fato de o quarto árbitro da partida ter se referido ao assistente técnico do time turco como: “Aquele preto ali“.  Quase um ano após o caso do jogo da Champions League, o Tribunal brasileiro deu uma pena leve para mais um caso de racismo.

 

 

Foto destaque: Celsinho cerrando o punho e se ajoelhando após marcar o gol. Reprodução/Isaac Fontana/Gazeta Press 

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